quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A diversidade pós-1970


Ensinamento

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado."
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
(Adélia Prado, 1976)


A nossa literatura, acompanhando o processo social de complexidade, atingido desde meados do século XX, abriu-se para a diversidade. Ao lado de uma poesia prosaica ou de forte temática social, desenvolveu-se uma poesia intimista e finamente lírica. Adélia Prado exemplifica a produção poética atual e se soma aos vários poetas contemporâneos. A seleção do poema "Ensinamento" tem como objetivo discutir coletivamente os sentidos das imagens da sua composição.